Marginais Humanos…

3 11 2007



Acabei de ver um homem ser morto
dentro de um pesadelo que tive

Não consegui ver seu rosto
nem gravar a fisionomia do assassino
só sei que um matava com gosto
e o outro morria sem escolha.

Ninguém tem escolha para a morte
mas essa me pareceu cruel.

Dentro dos meus próprios moldes
entrei numa reflexão monstruosa
dos meus próprios discursos e preconceitos
a cerca de quem matou e de quem morreu.

Pensamentos como “bandido tem que morrer mesmo”
não cabem mais nessa realidade que eu vi e senti

O que morreu aparentava ser o que
comumente chamamos de “marginal”
e que esquecemos de preconceituar como
HUMANO!

Acordei chorando e nos finalmentes achei estranho
que enquanto eu falo de amor e escrevo poemas
pessoas são mortas da maneira “fria” como eu e muitos sempre desejamos…

A violência está tão próxima de nós
que hoje invade até nosso sono…

Ele “errou” dentro de um sistema social e
sua aniquilação deveria ser imediata!
NÓS pensamos assim!!!
“Bandido, marginal, tem mais que morrer e se fuder!”

Nós criamos os erros
nós criamos os acertos
e vamos vivendo e matando hipocritamente
seres humanos dentro de nossos discursos…

Marginais, porém humanos…
Não sei se vou me arrepender de tudo o que falei
na próxima vez que for assaltado!
Os sentimentos são extremos, tocam lá dentro!

Tudo foi muito real, foi muito próximo de mim a cena
um homem morreu na minha frente
dentro do meu pesadelo
dentro da minha cabeça
e eu não irei enterra-lo
e eu não sei nem quem ele é
mas agora eu jamais vou conseguir esquecê-lo!


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