Juventude LGBT: um panorama nacional

28 03 2009

(Contribuição ao CONEB da UNE)

Juventude LGBT: um panorama nacional

por Vinícius Alves *

“Muito vale o já feito”
Milton Nascimento e Fernando Brant

A Juventude LGBT que temos constituída hoje tem em sua trajetória um interessante caminho percorrido. Dentro da sua construção, temos por um lado, no Movimento de Juventude, em especial no Movimento Estudantil (ME), a pauta do combate a homofobia, da diversidade sexual, que passa a ser promovida e tem, como resultado, a articulação e criação do Encontro Nacional de Universitário pela Diversidade Sexual (ENUDS), além da criação da Diretoria LGBT da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de diversos Coletivos Universitários que debatem Diversidade Sexual dentro das Universidades de todo país.

Pelo outro lado, no Movimento LGBT, a pauta da Juventude também começou a ser implementada. Jovens protagonistas passaram a aparecer e como resultado tivemos a criação do Grupo E-Jovem de Jovens e Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliadas, que cumpre hoje importante papel na atuação da Juventude LGBT, assim como existiu a fundação do Coletivo de Juventude da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), que vem se rearticula em torno do seu próximo Congresso e tem importante papel na representação de nossa atuação também.

A partir daí, podemos considerar que temos um importante avanço nas nossas conquistas em relação há alguns anos. Fizemos, mesmo que de uma forma não tão organizada, grande parte do que se fazia necessário para o avanço na construção da Juventude LGBT.

Dentre nossas conquistas, além de ocuparmos hoje assento no Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), da fundação grupo E-Jovem, do ENUDS, da Diretoria LGBT da UNE, do Coletivo de Juventude da ABGLT, tivemos importante participação tanto nas Conferências de Juventude como na I Conferência Nacional GLBT.

A pauta do combate à homofobia, quando incorporada pela UNE, trouxe avanços importantes na nossa organização. Em seu Congresso de 2005, a entidade aprovou a criação da Diretoria LGBT e também várias propostas importantes como apoio aos projetos de lei da união civil, a criminalização da homofobia e o uso do nome social das travestis e transexuais em suas carteirinhas da UNE. Além disso, através do projeto “Universidade Fora do Armário” a organização esteve presentes em diversas Paradas do Orgulho LGBT e ampliou sua aliança com o Movimento. Em 2007, a UNE formalizou sua parceria institucional com a ABGLT, uma das principais entidades nacionais do Movimento LGBT hoje.

Também foi do Movimento Estudantil, no ano de 2003, que nasceu a idéia de construção do ENUDS, que tinha como idéia a criação de um espaço de discussão sobre Orientação Sexual e Identidade de Gênero dentro das Universidades. O ENUDS foi o primeiro Encontro, que, mesmo de forma insconciente, conseguiu melhor transitar e pautar o debate LGBT em ambos os Movimento. Porém, no meio de sua trajetória terminou perdendo-se do seu caráter de luta, assim como de dar a devida importância de construção e modificação real para Juventude LGBT tanto dentro da Universidade quanto na construção de uma Sociedade mais justa e igualitária.

Por conta disto é necessário frizar que todas essas conquistas foram resultados de ações pontuais e manifestações voluntárias, que por mais importantes que sejam, não conseguiram ser feitas fruto de uma ação mais consciente e organizada. A partir disso vemos que nem sempre esses espaços dialogam entre si, muitas vezes caminham para lados diversos e realizam opções táticas contraditórias, além de, em alguns pontos, tornarem-se até mesmo opostas.

Teremos neste CONEB de 2009 o cenário ideal para a rearticulação dessa Juventude LGBT, pois teremos nele não só a participação dos jovens LGBT que vêm das fileiras do ME, como também de jovens protagonistas que militam nas fileiras do Movimento LGBT, aglutinados em um só lugar juntamente com demais lideranças juvenis. Com isso, teremos a oportunidade de rearticular um plano de ações mais coeso, propositivo, protagonista e de luta para o próximo bravo período que nos aguarda.

Portanto, é chegado o momento em que precisamos sentar para montar a organização da nossa atuação. Temos muito o que percorrer, muitos soldados a conquistar, muitas batalhas por enfrentar, para que só então consigamos alcançar com eficácia e méritos uma Juventude de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais protagonista, politizada e de luta!

“É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê”
(Los Hermanos)


* Vinícius Alves é Militante do Kiu! – Coletivo Universitário pela Diversidade Sexual, Coordenador de Juventude da Associação Beco das Cores (ABC LGBT), representante do Coletivo de Juventude do Fórum Baiano LGBT.

Escrito em 16.01.2009

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